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Crescemos. Mudamos. Construímos uma vida adulta, assumimos responsabilidades, criamos relações, fazemos escolhas.

E, ainda assim, há partes de nós que permanecem profundamente ligadas às primeiras experiências emocionais da vida.

A criança que fomos não desaparece.

Continua viva na forma como sentimos, reagimos e nos relacionamos.

Está presente nas nossas inseguranças, nos medos que se ativam sem explicação aparente, na dificuldade em colocar limites, na necessidade de aprovação ou no medo de sermos rejeitados.

Muitas vezes, aquilo que vivemos na infância molda silenciosamente a forma como aprendemos a estar no mundo.

As primeiras relações ensinam-nos sobre amor, segurança, pertença e valor pessoal.

Quando essas experiências foram suficientemente seguras, crescemos com maior capacidade de confiar, regular emoções e construir relações estáveis.

Mas quando houve ausência emocional, crítica excessiva, instabilidade, rejeição ou experiências de desamparo, essas marcas podem continuar a viver dentro de nós.

Nem sempre de forma consciente.

Mas expressam-se.

Expressam-se na forma como nos protegemos.

Na forma como evitamos a proximidade.

Na forma como nos agarramos a relações que nos fazem sofrer.

Na forma como nos culpamos, exigimos demais de nós próprios ou sentimos que nunca somos suficientes.

A criança interior representa precisamente esse lugar emocional onde permanecem necessidades antigas, emoções não elaboradas e experiências que continuam a ecoar no presente.

Olhar para essa dimensão não significa regressar ao passado nem viver preso a ele.

Significa compreender.

Compreender de onde vêm certos padrões, certas dores e certas formas de relação.

Porque aquilo que não foi reconhecido tende a repetir-se.

E muitas vezes repetimos não porque queremos, mas porque é a forma como aprendemos a sobreviver emocionalmente.

O trabalho terapêutico permite criar um espaço onde essas partes internas podem finalmente ser vistas, escutadas e integradas.

Não para apagar a história.

Mas para deixar de viver exclusivamente a partir dela.

Cuidar da criança interior é, muitas vezes, um passo fundamental para construir uma vida adulta mais livre, mais consciente e mais inteira.

Porque crescer não é deixar a criança para trás.

É aprender a cuidar dela de uma forma nova.

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